Monetary Deflation designa aqui uma queda persistente da quantidade nominal de moeda num agregado escolhido. Não é uma série estatística única nem outro nome para qualquer queda de preços. Antes de concluir algo sobre a economia ou Bitcoin, identifique moeda, detentores, instrumentos incluídos, período e método de medição.
O Federal Reserve publica M1, M2 e Monetary Base separadamente. A queda de um não implica automaticamente queda dos outros. Aqui Monetary Deflation se refere à quantidade nominal de moeda; a perda de poder de compra real pela inflação é outro fenômeno. Um único mês inferior também não comprova tendência persistente. [Federal Reserve — H.6 Money Stock Measures]
Nosso modelo segue componentes do BCE: numerário 20 e depósitos à vista 80 dão M1 = 100; com depósitos a prazo de um ano de 50, M2 = 150. Transferir 30 dos depósitos à vista para esses depósitos a prazo reduz M1 a 70, mas M2 permanece 150. Supomos os mesmos detentores elegíveis e nenhuma outra mudança: a moeda não saiu do perímetro mais amplo. [ECB — Monetary Aggregates]
O Banco da Inglaterra explica que pagar empréstimos bancários destrói moeda em depósitos. Em outro modelo, amortizar principal de 20 usando um depósito reduz depósitos e empréstimo bancário em 20; mantidas as demais parcelas, M2 cai de 150 para 130. Pagar 20 a outro detentor não bancário do mesmo agregado apenas muda a propriedade. Não misture principal, juros e pagamento de bens. [Bank of England — Money Creation in the Modern Economy]
Monetary Base e Broad Money descrevem passivos e detentores diferentes. O Banco da Inglaterra rejeita uma multiplicação mecânica fixa de reservas em empréstimos. O banco central pode fornecer reservas enquanto amortizações reduzem depósitos; as mudanças não precisam coincidir. Nas compras de ativos, acompanhe também a contraparte vendedora e os depósitos, não apenas o balanço do banco central. [Bank of England — Money Creation in the Modern Economy]
O FRED mede a velocidade de M2 pelo produto nominal dividido pelo estoque monetário médio. Nossa relação simplificada M × V = P × Y: M = 100, V = 2 e Y = 100 resultam em P = 2. Reduzir M a 90 sem alterar V e Y dá P = 1,8; com V = 20/9, P continua 2. É um modelo condicional, não prova de velocidade e produto real constantes. [FRED — Velocity of M2 Money Stock]
O Banco da Inglaterra separa o choque econômico inicial dos efeitos da deflação, como maior peso real da dívida nominal. Nossa dívida de 100 equivale a 10 cestas de preço 10; com preço 8, equivale a 12,5 cestas, ou 25 % mais. Esse cálculo sozinho não prova contração monetária. Quedas de preços por produtividade e colapso da demanda tampouco precisam ter efeitos iguais. [Bank of England — Deflation, Quarterly Bulletin 2009 Q1]
Nosso estoque começa em 100: somar 10 dá 110, depois somar 5 dá 115. O fluxo de emissão caiu, mas o estoque aumentou. Da mesma forma, Halving não reduz pela metade saldos bitcoin existentes. Bitcoin.org distingue emissão limitada e chaves perdidas; moedas inacessíveis não são moedas removidas do histórico. Longa inatividade não prova, sozinha, uma chave perdida. [Bitcoin.org — FAQ]
Antes de usar Monetary Deflation, confira moeda, agregado, período, ajuste sazonal e mudanças de definição. H.6 oferece séries ajustadas e não ajustadas; misturá-las pode mudar a interpretação. Só então compare crédito, preços e atividade. Crescimento negativo de um agregado não prevê sozinho os preços do BTC nem demonstra queda igual de todos os tipos de moeda. [Federal Reserve — H.6 Money Stock Measures]
Para ter uma visão mais completa, leia este verbete junto com Monetary Base, Broad Money, Disinflation, Debt Deflation. Também há referências a este verbete em Disinflation, Debt Deflation, Velocity of Money, Purchasing Power.