Hughes distinguiu privacidade de segredo, definiu-a como revelação seletiva e defendeu sistemas de transações anônimas que as pessoas construíssem e publicassem por conta própria. É uma declaração política prática, não uma especificação técnica.
Eric Hughes publicou o manifesto na comunidade Cypherpunk em março de 1993. O texto curto condensou sua ética de trabalho sobre privacidade, criptografia e software. [Eric Hughes — A Cypherpunk's Manifesto] [Satoshi Nakamoto Institute — Cypherpunk Manifesto archive] [Cypherpunks mailing-list archive]
Um assunto privado é algo que não se quer contar ao mundo inteiro; um segredo não deve ser conhecido por ninguém. A privacidade permite, portanto, compartilhar por escolha sem exigir ocultação completa. [Eric Hughes — A Cypherpunk's Manifesto] [Satoshi Nakamoto Institute — Cypherpunk Manifesto archive]
Hughes definiu privacidade como a capacidade de se revelar seletivamente. O indivíduo deve decidir quais dados se associam à sua identidade, sem que essa decisão caiba automaticamente às instituições. [Eric Hughes — A Cypherpunk's Manifesto] [Satoshi Nakamoto Institute — Cypherpunk Manifesto archive]
Compras, mensagens e contratos eletrônicos entregam dados às contrapartes e aos intermediários. A proteção exige mecanismos que mostrem somente as informações necessárias para cada troca. [Eric Hughes — A Cypherpunk's Manifesto] [EFF — A Deep Dive on End-to-End Encryption]
O manifesto defendia sistemas anônimos de pagamento e comunicação com assinaturas digitais, dinheiro eletrônico e pseudônimos. A cooperação não deveria exigir identificação civil universal. [Eric Hughes — A Cypherpunk's Manifesto] [Timothy C. May — The Crypto Anarchist Manifesto]
Segundo Hughes, a privacidade não pode depender de governos, empresas ou promessas benevolentes. As pessoas devem defendê-la por conta própria, pois dados pessoais já revelados podem ser usados indevidamente depois. [Eric Hughes — A Cypherpunk's Manifesto]
Seu princípio prático mais conhecido afirma que os Cypherpunks escrevem código. A discussão importa, mas software utilizável, inspecionável e distribuído muda as possibilidades reais das pessoas. [Eric Hughes — A Cypherpunk's Manifesto] [Cypherpunks mailing-list archive]
Segundo o texto, não se pode suprimir software criptográfico a longo prazo, porque o conhecimento e o código-fonte circulam globalmente. É confiança na publicação, não garantia de segurança de cada dispositivo. [Eric Hughes — A Cypherpunk's Manifesto] [Cypherpunks mailing-list archive]
A criptografia protege o conteúdo e as assinaturas verificam a origem e a integridade dos dados assinados. Metadados, dispositivos comprometidos, padrões inadequados e divulgação voluntária ainda expõem as pessoas; a criptografia não elimina a necessidade de segurança operacional. [Eric Hughes — A Cypherpunk's Manifesto] [EFF — A Deep Dive on End-to-End Encryption]
Bitcoin segue a ética de construir e publicar e permite transferir valor sem operador central. Seu registro público é pseudônimo, não automaticamente privado; o objetivo do manifesto exige práticas e protocolos adicionais. [Satoshi Nakamoto Institute — Cypherpunk Manifesto archive] [Bitcoin.org — Protect your privacy] [Bitcoin whitepaper]
Para ter uma visão mais completa, leia este verbete junto com Eric Hughes, Cypherpunks, The Crypto Anarchist Manifesto, Privacidade no Bitcoin, Pseudonimidade, Bitcoin. Também há referências a este verbete em Cypherpunks, Eric Hughes.